Por que Os Canadenses São Os Melhores Do Mundo

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Aqui está uma história incrível de um comissário de bordo do voo 15 da companhia Delta, escrita logo em seguida ao 11/09. Na manhã de uma terça-feira, 11 de setembro, nós estávamos há aproximadamente 5 horas de Frankfurt, Alemanha, sobrevoando o Atlântico Norte.

De repente, todas as cortinas se abriram e eu fui avisado de que devia ir à cabine de comando imediatamente, para ver o capitão. Assim que eu entrei, notei que a tripulação tinha um olhar de seriedade em seus rostos. Então, o capitão me entregou uma mensagem impressa. Era do escritório principal da Delta, em Atlanta, e dizia: “Todas as vias aéreas sobre o território continental dos Estados Unidos estão fechadas para tráfego aéreo comercial. Aterrisse o mais rápido possível no aeroporto mais próximo. Informe o seu destino”.

Ninguém disse palavra alguma sobre o que a mensagem poderia significar. Nós sabíamos que era uma situação séria e que precisávamos encontrar terra firme o mais rápido possível. O comandante calculou que o aeroporto mais próximo ficava 400 milhas atrás de nós, em Gander, Terra Nova.

BY SHAWN FROM AIRDRIE, CANADA – GANDER, NEWFOUNDLAND, CC BY-SA 2.0, WIKIMEDIA COMMONS

Ele solicitou autorização do controle de tráfego Canadense para alterar a rota e teve aprovação garantida imediatamente – nenhuma pergunta foi feita. Depois nós descobrimos, é claro, o motivo de não haver hesitação para aprovar nosso pedido.

Enquanto a tripulação de voo se preparava para o pouso do avião, outra mensagem chegou de Atlanta, informando sobre atividades terroristas na área de Nova Iorque. Alguns minutos mais tarde, vieram as informações sobre os sequestros.

Nós decidimos MENTIR para os passageiros enquanto ainda estávamos no ar. Dissemos a eles que o avião estava com um simples problema mecânico e que nós precisávamos pousar no aeroporto mais próximo em Gander, Terra Nova, para verificar o problema.

Nós prometemos que daríamos maiores informações logo após o pouso. Houve muita murmuração dentre os passageiros, mas isto não é novidade. Após 40 minutos nós pousamos em Gander. O horário local era 12:30 PM, o que significa 11:00 AM no horário EST, que compreende parte dos Estados Unidos e do Canadá.

Já haviam mais ou menos 20 outros aviões aterrissados, de todos os lugares do mundo, que desviaram sua rota dos EUA.

Após estacionar a aeronave, o comandante fez o seguinte anúncio: “Senhoras e senhores, vocês devem estar se perguntando se todos estes aviões ao nosso redor também estão com os mesmos problemas mecânicos. Mas, na verdade, estamos aqui por outro motivo”.

Assim, ele começou a explicar o pouco que sabíamos sobre a situação nos EUA. Houveram muitos espantos e olhares de incredulidade. O comandante informou os passageiros de que o controle terrestre de Gander disse para permanecermos no local.

O governo canadense estava no controle de nossa situação e ninguém tinha permissão para deixar a aeronave. Nem mesmo as pessoas do aeroporto tinham permissão para se aproximar das aeronaves. A verificação era feita periodicamente pelos policiais do aeroporto, que vinham até nós e passavam para o próximo avião.

Após uma hora, mais ou menos, mais aviões pousaram, e Gander chegou a um total de 53 aeronaves de todas as partes do mundo, sendo 27 delas jatos comerciais dos EUA.

Enquanto isto, pequenas partes das notícias começaram a vir através do rádio da aeronave, e pela primeira vez nós ficamos sabendo que aviões haviam se chocado com as torres do World Trade Center em Nova Iorque e com o Pentágono em Washington.

As pessoas tentavam usar seus celulares, mas não conseguiam realizar ligações devido às diferenças no sistema de telefonia do Canadá. Alguns conseguiram realizar chamadas, que logo eram atendidas por um operador de telefonia canadense que lhes informava que as linhas telefônicas para os EUA estavam ou bloqueadas ou obstruídas.

Em algum momento da noite, as notícias deixaram claro que as torres do World Trade Center haviam desabado e que um quarto sequestro havia resultado em uma colisão. Neste momento, os passageiros estavam física e emocionalmente exaustos, para não mencionar assustados, mas todos continuaram surpreendentemente calmos.

Nós somente tínhamos de olhar pela janela para ver que não éramos os únicos naquela difícil situação: haviam 52 outras aeronaves conosco.

Fomos avisados de que o desembarque estava sendo permitido, um avião de cada vez. Às 18 horas, o aeroporto de Gander nos informou que a nossa vez de desembarcar chegaria às 11 horas da manhã seguinte.

Os passageiros não estavam felizes, mas eles simplesmente aceitaram a notícia sem muito alvoroço e começaram a se preparar para passar a noite no avião.

Foi-nos prometido água, banheiro, e cuidados médicos, se necessário.

E eles cumpriram com suas palavras.

Felizmente não tivemos situações médicas com que nos preocupar. Havia somente uma moça em suas 33 semanas de gravidez, da qual cuidamos muito bem. A noite passou sem nenhum incidente, apesar das condições desconfortáveis de sono.

Em torno das 10:30 da manhã do dia 12, um comboio de ônibus escolares apareceu. Nós desembarcamos do avião e fomos levados ao terminal, aonde passamos pela Imigração e Alfândega, e então tivemos de nos registrar com a Cruz Vermelha.

Após isto, nós (a tripulação) fomos separados dos passageiros e levados em vans até um pequeno hotel. Nós não fazíamos a menor ideia do local para onde nossos passageiros estavam sendo levados. Ficamos sabendo, através da Cruz Vermelha, que a cidade tinha uma população total de 10.400 pessoas, e que mais ou menos 10.500 passageiros foram recebidos dentre todos os aviões forçados a pousar em Gander!

Fomos ditos para simplesmente descansar no hotel e que seriamos contatados quando os aeroportos dos EUA fossem reabertos, mas que não devíamos criar expectativas por algum tempo.

Nós ficamos sabendo da dimensão total do terror que afligiu nosso lar somente quando chegamos ao hotel e ligamos a TV, 24 horas após tudo ter começado.

Entretanto, nós tínhamos bastante tempo livre, o suficiente para descobrir que o povo da cidade era extremamente amigável. Eles começaram a nos chamar de “gente do avião”. Nós adoramos sua hospitalidade, exploramos a cidade de Gander e acabamos passando por bons momentos lá.

Dois dias mais tarde, recebemos a ligação esperada e fomos levados de volta ao aeroporto da cidade. De volta ao avião, fomos reunidos com os passageiros e descobrimos o que eles estiveram fazendo nos últimos dois dias.

O que descobrimos foi incrível…

Gander e suas comunidades vizinhas (dentro de um raio de 75km) fecharam todas suas escolas, salões de eventos, pousadas, e diversos outros locais amplos. Eles converteram todas estas instalações em áreas de alojamento em massa para todos os viajantes.

Alguns tinham camas instaladas, outros tinham colchonetes com sacos de dormir e travesseiros.

TODOS os alunos do ensino médio estavam doando seu tempo como voluntários, para ajudar a tomar conta dos “convidados”.

Nossos 218 passageiros acabaram em uma cidade chamada Lewisporte, a aproximadamente 45km de distância de Gander, aonde foram hospedados em uma escola. Se alguma mulher quisesse ser transferida para uma instalação exclusivamente para mulheres, isto era providenciado.

Famílias foram mantidas juntas. Todos os passageiros idosos foram levados para residências privadas.

Você se lembra da moça grávida? Ela foi colocada em uma residência que ficava logo em frente a uma unidade de emergência 24-horas. Quanto à multidão, enfermeiros de ambos os sexos estiveram presentes durante o período, e havia até mesmo um dentista para auxiliar na situação.

Ligações e e-mails para os EUA e o resto do mundo estavam disponíveis para todos, uma vez por dia. Durante o dia, foram oferecidas “excursões” para os passageiros. Algumas pessoas participaram de passeios de barco nos lagos e portos. Outros fizeram caminhadas nas florestas locais.

As padarias locais ficaram abertas para fazer pães frescos para os convidados.

Os alimentos foram preparados por todos os residentes e trazidos até às escolas. Pessoas foram levadas a restaurantes de sua escolha e oferecidas deliciosas refeições. Todos receberam fichas gratuitas para utilizar as lavanderias da cidade e lavar suas roupas, já que suas bagagens ainda estavam nas aeronaves.

Em outras palavras, todas as necessidades dos viajantes foram atendidas.

Os passageiros até mesmo choravam ao contar as histórias. Finalmente, quando veio a notícia de que os aeroportos dos EUA estavam abertos novamente, os passageiros foram deixados pontualmente no aeroporto, sem a falta ou o atraso de ninguém. A Cruz Vermelha local já estava com a localização de todos os passageiros, além de saber em quais aviões eles tinham que embarcar e quando estes aviões sairiam. Eles coordenaram tudo de uma maneira maravilhosa.

Foi absolutamente incrível.

Quando os passageiros embarcaram, pareciam ter acabado de voltar de um cruzeiro. Todos se conheciam pelos nomes. Eles trocavam histórias de sua estada, impressionando uns aos outros quanto aos bons momentos que tiveram. Nosso voo de volta à Atlanta pareceu uma festa. A tripulação não impediu. Foi extraordinário.

Os passageiros criaram vínculos e já se chamavam pelos nomes, trocavam telefones, endereços e e-mails.

E então, algo incomum aconteceu.

Um de nossos passageiros me abordou e perguntou se podia fazer um anúncio pelo sistema de som. Nós nunca permitimos isto. Mas dessa vez era diferente. Eu disse “é claro”, e lhe entreguei o microfone. Ele começou a lembrar a todos sobre o que acabáramos de passar nos últimos dias.

Ele nos lembrou da hospitalidade com que fomos recebidos na mão de completos estranhos. E por final, explicou que ele gostaria de fazer algo em retribuição às boas pessoas de Lewisporte.

Ele disse que iria montar um Fundo Fiduciário sob o nome de “DELTA 15” (o número do nosso voo). O objetivo do fundo era garantir bolsas de estudo em universidades para os estudantes do ensino médio de Lewisporte.

Ele pediu por doações de qualquer quantia aos seus companheiros de voo. Quando o papel de doações voltou às nossas mãos com as quantias, nomes, telefones e endereços, o total era mais de US$ 14.000!

O senhor que fez a proposta, um médico da Virginia, prometeu igualar as doações e começar o trabalho administrativo de tais bolsas. Ele também disse que iria enviar esta proposta à Delta Corporate e pedir para que doassem também.

No momento em que eu escrevo este texto, o Fundo Fiduciário está em mais de US$ 1,5 milhões e já auxiliou 134 estudantes a irem à universidade.

“Eu quis compartilhar essa história porque acho que precisamos de histórias boas, neste momento. Me dá um pouco de esperanças saber que algumas pessoas, em um local tão afastado, foram tão gentis com estranhos que literalmente foram jogados sobre eles.

Isto me lembra que ainda existe, neste mundo, pessoas que fazem o bem. ”

Apesar de todas as podridões que vemos no mundo de hoje, esta história confirma que ainda existem pessoas boas no mundo e que, quando as coisas vão mal, elas se apresentarão.

 



       *Esta é uma daquelas histórias que precisa ser compartilhada. Por favor, o faça…*

 

Texto traduzido de JetlineMarvel

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